13 de out. de 2009

O gigante da dúvida


Certa vez, um apóstolo tratando sobre “fé versus dúvida” disse que aquele que se agarra na dúvida é como onda impelida pelo mar. É alguém de ânimo dobre ou de duas almas distintas, imprevisíveis e divididas.
Quer queiramos ou não, em diversas áreas da nossa vida, lutamos contra este gigante! Será que nós conseguimos? Será verdade? Será que podemos? Aconteceu mesmo?
Ao que tudo indica, a nossa própria finitude faz da dúvida uma experiência inevitável. Se a confiança faz o vencedor, a dúvida nos projeta para o desafio de não conseguir realizar, ou do perdedor. A dúvida é parasita que não sobrevive sozinho, ela se cercará de outras incertezas. Ela é uma espécie de peregrino procurando campos férteis para neles pousar e semear suas terríveis sementes. Onde ela chega, chega também a possibilidade do retrocesso.
É a mãe das incertezas e dos fracassos. Sabe enfraquecer os ânimos, destruir convicções, soprar suspeitas, inquietar a vida. Se a confiança pode nos estimular a buscar o caminho da vitória, da coragem e do ânimo, a dúvida pode nos paralisar.
Afirmam que os sonhos geram visões. Sendo fato, o sonhador deve ser visionário obstinado para alcançar a vitória. Na confiança é necessário buscar forças para vencer as dificuldades e o gigante da dúvida, que sempre surge como possibilidade. É preciso aprender a encarar os obstáculos, acreditando que não existem inimigos que não possam ser vencidos. Mas é também importante aprender a não subestimar para não sermos surpreendidos.
Temos que aprender a não perder de vista aquilo que é objetivo e meta, a fim de não sermos tragados pela onda do medo e da dúvida que tragou o apóstolo Pedro, depois de ter conquistado os primeiros passos da vitória.
É grave, pois a dúvida como atitude persistente constitui um obstáculo a qualquer ação construtiva e torna impossíveis os empreendimentos criadores.
Mas existe uma área em que a dúvida cumpre um papel importantíssimo na progressão espiritual do homem: é quando ela põe à prova a presunção oca e desafia a hipocrisia jactanciosa, colocando o homem a investigar honestamente, a estimular discussões e trocas de opiniões que instigam a busca da verdade. Duvidar com inteligência é argumentar para aprender, é admitir que estamos na dúvida mesmo e que queremos compreender melhor, queremos resposta satisfatória e não fuga da realidade.
Está aí um gigante diante de nós! Precisamos aprender a trabalhar com este gigante para não sermos julgados quando só conseguimos duvidar, e não precisarmos crer no que é absurdo ou obscuro quando, naquele momento, o que temos é a certeza da dúvida.
Vamos aprender a trabalhar com este gigante!
Rev. Jonas Zulske
Ministro Presbiteriano e Teólogo

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